Bento XVI, meu guia intelectual

Fui ateu por muitos anos, e me converti no início do Mestrado, em 2005. Portanto, já se passaram quase 18 anos.

O papa Bento XVI foi uma das luzes mais importantes do início dessa jornada.

Muitas coisas alimentavam o meu ateísmo, uma das mais importantes era a ignorância que eu via entre os católicos que conhecia. 

Na universidade, estavam sempre entre os piores alunos (infelizmente isso não mudou muito!). Rezavam para não reprovar ao invés de estudar. Para mim aquilo era um escândalo. Não era a toa que acretivam num monte de bobagens. Gente cheia de superstições.

Eu que, sempre fui apaixonado pela ciência e pelo estudo, sentia uma repulsa natural por pessoas dispostas a acreditar antes num milagre do que numa explicação natural.

Por razões que não gosto de falar em público, num dado momento comecei a sentir que Deus me procurava. E eu também sentia um impulso de procurá-lo.

Mas esse sentimento me deixava confuso, perplexo, e com raiva de mim mesmo.

Como eu poderia abrir mão de toda a maravilha da ciência, da beleza da Matemática e da Física, para ser mais um tolo católico? Eu escondia isso de todos, principalmente dos meus colegas físicos.

Eu acreditava, nesse momento, que era preciso escolher entre a luz da ciência e as trevas do dogmatismo religioso. Meu coração estava dividido entre Deus que me chamava e o meu amor pela ciência.

Graças a Deus, foi nesse momento que o cardeal Ratzinger entrou na minha vida pelo Catecismo da Igreja Católica. Lembro que quando tive pela primeira vez esse livro nas minhas mãos, fiquei maravilhado, num estado quase de êxtase.

"Existe vida inteligente na Igreja Católica! Quem escreveu isso? Meus Deus, há uma saída pra mim!"

Li tudo, devorando cada página com voracidade. Aquilo resolvia todas as minhas perplexidades.

Em 2007 eu tive a oportunidade única de partipar da Escola de Verão do Observatório do Vaticano. Durante um mês estudamos exoplanetas com os melhores astrofísicos do mundo. Basta dizer, por exemplo, que Didier Queloz foi nosso professor. Ele ganhou o Nobel de Física em em 2019 pela descoberta do primeiro exoplaneta.

E ele estava num evento organizado por católicos. Ele não era católico, estávamos entre pessoas de todo o mundo discutindo ciência de ponta. A Igreja tem interesse em participar da ciência, a Igreja também admira a ciência!

Os alunos da Escola foram recebidos pelo então papa Bento XVI. Na foto, eu ainda um aluno de doutorado, conversei com ele sobre o Brasil e sua recente vinda ao país. Já tinha lindo vários textos dele. A maioria das pessoas que estava comigo não o conheciam.

Depois disso, li muito mais textos dele e ele se tornou um guia intelectual para mim, em vários sentidos.

Quem lê sua obra percebe que ele jamais tem medo de investigar e entender o pensamento alheio. Tem por hábito expor o pensamento contrário ao seu em detalhes, sempre com muito respeito e profunidade. Isso se chama honestidade intelectual. É um exemplo para todos os cientistas.

Hoje a Igreja passa por grandes crises, e sempre olho para ele para saber como me portar.

Muitos católicos, inseguros, têm formado grupos sectários para se proteger do mundo. Quando vários começaram a atacar o papa Francisco, as vacinas, etc, ele sempre nos guiou para outro rumo. Foi exemplo em tudo!

Exemplo de um homem que encarnou uma bela frase de São Josemaria: "Um filho de Deus não tem medo da vida nem medo da morte".

Eu vejo nele o exemplo de um homem que consegue conversar com todos, aprender de todos, mas sem nunca perder de vista as verdades que Deus nos revelou pela sua Igreja Católica. E, por isso, capaz de ensinar a todos.

Creio que seu legado será muito importante para construir a unidade da Igreja Católica no próximo século. E ele ainda guiará muitos jovens católicos pelo caminho seguro, como fez comigo.

 


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