Live com o Prof. Felipe Aquino

No dia 30/07/2020 gravei uma live com o Prof. Felipe Aquino sobre o tema do Livre-arbítrio:

Livres para amar  ou escravos do acaso?

O homem foi criado por Deus. Assim como os anjos, recebeu a liberdade e a inteligência. Com estes dons torna-se responsável pelos seus atos e capaz de amar a Deus. Como o amor pressupõe a liberdade, a realidade do livre arbítrio é um dos fundamentos da nossa fé. Alguns avanços da ciência, no entanto, parecem colocar esse fato em dúvida. Alguns cientistas ensinam que somos escravos do acaso. Justificam esse pensamento com descobertas da ciência. Por exemplo, o determinismo da Física Clássica, onde tudo se resume a causa-efeito; a aleatoriedade como mecanismo base da Evolução das Espécies e a Indeterminação como paradigma da Mecânica Quântica. Como conciliar nossa fé com a ciência?



https://web.facebook.com/watch/live/?v=325954115109091

Magia em "O Segredo"'

Resposta escrita a uma pessoa que me perguntou por que eu afirmo que "A Lei da Atração" em "O Segredo" é um pensamento mágico, condenado como pecado pela Igreja.

Essa pessoa confidenciou que sofre de um problema muito difícil em sua vida e que "O Segredo" tem lhe ajudado a procurar uma solução.


Boa tarde XXXX

De fato, penso que o filme "O Segredo" (e o livro inspirado nele) inspiram
pensamentos associados a magia. Por que penso assim?

Bem, em primeiro lugar é preciso entender o que é a magia:

Dicionário Michaelis:

"Ciência, arte ou prática baseada na crença de que é possível, por intervenção de entes sobrenaturais e fantásticos, produzir efeitos inexplicáveis, especiais, irracionais e sobrenaturais, através de fórmulas mágicas e rituais ocultos."

No caso, o núcleo lógico de "O Segredo" é (resumo que peguei na Wikipedia):

[Existe uma] "lei da atração (...) que sempre está agindo em todos nós assim como todas as leis naturais, como a lei da gravidade, como a lei da ação e reação, etc. É uma lei que explicaria o porquê de tudo que acontece em nossa volta, dizendo que as nossas emoções, produto de nossos pensamentos, que produzem os acontecimentos do dia-a-dia, se tivermos boas emoções, então teriamos bons acontecimentos na nossa vida, e se tivermos más emoções, então teremos maus acontecimentos na nossa vida. O filme defende que devemos ter um cuidado na hora de pensarmos, para não pensarmos o que não queremos e assim isso não acontecer na nossa vida."


Não está nesse resumo, mas é comum associarem essa "Lei da Atração" à Mecânica Quântica, especialmente ao "Princípio da Indeterminação".
No entanto, essa associação é completamente falsa pois esse princípio só trata
de realidades microscópicas simples e isoladas de outras interferências.
Ela não faz qualquer sentido no mundo macroscópico, para os objetos e os
acontecimentos com os quais lidamos diariamente.
Também não tem relação alguma com "poder da mente".

Assim, como essa conexão é falsa desde o princípio pois parte de uma premissa
errada, esse suposto "poder da mente" não é algo científico. É uma crença!
E mais, como ninguém que propaga essas ideias entende realmente de Mecânica
Quântica, eles propagam uma crença baeada em um ente "sobrenatural e
fantástico", como diz a definição do Dicionário.

As pessoas que são levadas a acreditar nessa suposta "Lei da Atração" são
motivadas por uma pseudo-base científica e também porque ela parece razoável.
Entretanto, no fundo elas são motivadas por um desejo de mudar a realidade
por meio de algo fácil, ao alcance de suas mãos, ainda que não possam
controlar devidamente os princípios.

Veja que normalmente esse desejo nasce, antes de tudo, por um sentimento
de inconformação com a realidade.

Isso tudo que eu descrevi é o que chamo de pensamento mágico, que consiste
em querer mudar a realidade usando algo exótico mas que parece ao meu alcance.
Começa com pequenas simpatias - não passar por baixo de escadas, não
cruzar com gatos pretos, e termina com ações mais sofisticadas - pactos
demoníacos etc.

No meio termo tem todas essas falsas filosofias orientais e um mundo de
misticismos como de "O Segredo".


A postura cristão é totalmente contrária a isso.
Para o cristão:

"Todas as práticas de magia ou de feitiçaria com as quais a pessoa pretende domesticar os poderes ocultos, para colocá-los a seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo - mesmo que seja para proporcionar a este a saúde - são gravemente contrárias à virtude da religião." (Catecismo da Igreja Católica - CIC - 2117)


Porque a "Virtude da Religião" é:

"A justiça para com Deus chama-se "virtude de religião" (CIC 1807)

"A adoração é o primeiro ato da virtude da religião. Adorar a Deus é reconhecê-lo como Deus, como o Criador e o Salvador, o Senhor e o Dono de tudo o que existe, o Amor infinito e misericordioso. "Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a Ele prestarás culto" (Lc 4,8), diz Jesus, citando o Deuteronômio (6,13)." (CIC 2096)


Ou seja, consiste em aceitar a vontade de Deus para nossas vidas e para as
vidas dos outros. Isso pode, em muitos casos, estar disposto a aceitar uma
imensa Cruz, como a de Cristo, que irá nos santificar.

Não há vida cristã sem aceitar, amar, a Cruz:

"Jesus disse a seus discípulos: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me." (Mt 16, 24)

A doutrina cristã a respeito da cruz é muito profunda e, para muitas pessoas,
é o ponto de entrada pela verdadeira vida cristã.

Não significa resignar-se diantes das dificuldades, mas tampouco significa
lançar mão de pensamentos e atos mágicos para mudar as realidades que Deus
quis!

Recomendo o texto do Pe Francisco Faus como ponto de partida para a reflexão
no tema:
https://www.padrefaus.org/2018/03/28/confianca-na-cruz/

E a busca de um Diretor Espiritual.


Espero que você encontre uma solução para o seu problema de XXXXX, mas
também que encontre nessa Cruz uma proximidade maior com Cristo crucificado!















Live com o Prof. Felipe Aquino

No dia 2/07/2020 gravei uma live com o Prof. Felipe Aquino sobre diversos temas de Ciência e Fé ligados à Física em geral.

https://www.facebook.com/PFelipeAquino/videos/566216917587653/


Astrônomos fazem justiça ao criador da teoria do Big Bang

Escrito em 31/10/2018

No último dia 29 de outubro a União Astronômica Internacional divulgou o resultado de uma votação feita entre seus membros para mudar a chamada “Lei de Hubble” para “Lei de Hubble-Lemaître”. Por absoluta maioria os astrônomos referendaram a mudança como forma de reconhecer o pioneirismo do padre Georges Lemaître, um jesuíta belga, na equação mais fundamental da teoria do Big Bang. A teoria do Big Bang, que já tem quase um século, é um conjunto de ideias de como o nosso universo evoluiu desde um estado muito denso e quente até a forma como o observamos hoje e faz previsões sobre o que esperar para o futuro. A teoria é sustentada por quatro colunas: três fatos observacionais e uma teoria sobre a gravidade.
O principal fato observacional é que todas as galáxias distantes se afastam a velocidades incríveis de nós, a maioria mais rápido que a própria velocidade da luz. Além disso, sabemos que a composição química dos objetos mais antigos do universo é basicamente Hidrogênio e Hélio, numa proporção de 3 para 1. A terceira observação que dá suporte à teoria do Big Bang é uma luz que vem de todas as direções do espaço e é praticamente sempre igual, não importa para onde olhamos. São fatos cosmológicos, ou seja, dizem respeito ao universo como um todo, e nos ajudam a desvendar sua história se pudermos interpretá-los.

Leia o resto na Gazeta do Povo

Entrevista sobre Família

Entrevista que eu e minha esposa demos em 02/2018 no Programa Escola da Fé do Professor Felipe Aquino.
Falamos sobre Famílias Numerosas (com muitos filhos) e também falei sobre Astrofísica.


Entrevista sobre Ciência & Fé

Duas entrevistas que dei em julho de 2016 no programa Escola da Fé do Professor Felipe Aquino.
Falamos sobre os mais diversos aspectos de Ciência & Fé


O Nobel de Física e as próximas fronteiras da cosmologia

Escrito em 03/10/2017


O Prêmio Nobel de Física de 2017 foi dado a Rainer Weiss, Barry Barish e Kip Thorne pela descoberta das ondas gravitacionais – na verdade, não só pela descoberta das ondas, mas também por terem dado contribuições fundamentais à construção do observatório que realizou a façanha, o Ligo (sigla de Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory), nos Estados Unidos. Se pelo menos um dos nomes não é estranho ao leitor, é porque Thorne ajudou o diretor Christopher Nolan a tornar o filme Interestelar o mais realista possível, e até escreveu um livro explicando a ciência do filme.
Há cerca de 100 anos, Albert Einstein publicou a chamada Teoria da Relatividade Geral, uma ideia revolucionária para a natureza das interações gravitacionais. Inicialmente, ele não acreditou na existência de ondas gravitacionais e chegou a tentar publicar um artigo no qual provava que não existiam. Felizmente, um revisor o advertiu de que havia erros de interpretação matemática no trabalho. Com o ego ferido, depois de protestar muito, Einstein acabou alterando os resultados e mostrou que as ondas gravitacionais poderiam existir – vaidade e sorte também são ingredientes importantes da ciência.
As ondas gravitacionais são semelhantes às ondas na água geradas por uma pedra lançada num lago. A perturbação da pedra é transmitida na forma de ondas, que se propagam à velocidade do som no líquido. Quanto mais longe da origem, menor a intensidade da onda. A gravidade age no próprio espaço-tempo e, portanto, as ondas gravitacionais se propagam com a velocidade da luz. Há muitas maneiras de gerar essas ondas; o mecanismo mais comum é movimentar um objeto com grande massa de forma rápida. Quanto mais rápido o movimento e mais massivo o objeto, maior a intensidade das ondas.
As primeiras tentativas de detectar ondas gravitacionais começaram na década de 60 do século passado, mas não funcionaram. O desafio para detectá-las é enorme: as ondulações chegam até nós com uma intensidade muito baixa. Os físicos tentaram medir as variações no comprimento de corpos de prova de laboratório, pois, à medida que a onda faz o tecido do espaço-tempo vibrar, encolhe e estica os objetos.
Em 1974, os astrônomos Joseph Taylor e Russel Hulse conseguiram fazer uma medição indireta de ondas gravitacionais. Observaram um par de estrelas de nêutrons em uma órbita muito pequena, girando em altíssima velocidade. Eles foram capazes de medir o período da órbita com grande precisão e mostraram que estava diminuindo. As estrelas estavam se aproximando, pois perdiam energia de rotação na forma de ondas gravitacionais. As ondas em si não foram detectadas, somente o seu efeito, que fechou perfeitamente com a previsão da Teoria da Relatividade Geral. Os dois cientistas ganharam o Nobel de Física de 1993 pela descoberta do objeto binário e pela primeira comprovação da existência de ondas gravitacionais. Mas ainda restava a importante tarefa de observá-las diretamente.
É aí que entra o trabalho gigantesco dos três laureados deste ano. Um trabalho em física teórica e experimental, mas também político. Eles lideraram milhares de cientistas na construção do Ligo. Por quase 50 anos, eles e vários outros cientistas angariaram verbas governamentais, promoveram estudos científicos e fizeram muito lobby para conseguir construir o Ligo e torná-lo capaz de fazer a detecção. Dedicaram a vida a esse projeto. O observatório consiste em dois tubos que foram um “L” – cada braço tem 4 quilômetros de comprimento. Pelos braços são lançados feixes de laser. Quando uma onda gravitacional passa pelo braço, as alterações no laser permitem que os físicos determinem o quanto o braço encolheu e esticou. Para evitar detecções espúrias, pois qualquer vibração pode causar efeitos semelhantes, há dois observatórios idênticos, separados por mais de 3 mil quilômetros. A detecção só é considerada verdadeira se acontecer simultaneamente nos dois observatórios e com o mesmo padrão.
Em 11 de fevereiro de 2016, os cientistas do Ligo sacudiram o mundo da física ao anunciar a primeira detecção de uma onda gravitacional. Análises indicaram que se tratou da fusão de dois buracos negros. Um processo como esse libera quantidades enormes de energia que puderam ser detectadas aqui na Terra. O evento durou menos de um segundo e aconteceu a aproximadamente 1,4 bilhão de anos-luz de nós. Ao chegar aqui, a onda fez o braço de 4 km do Ligo oscilar em alguns milionésimos do tamanho de um próton! Depois dessa detecção, foram feitas outras três. A mais recente, em agosto desse ano, e pela primeira vez também foi observada por outro observatório de ondas gravitacionais, o Virgo, que fica na Itália.
O Nobel de Física deste ano é, portanto, o segundo Nobel concedido para descobertas sobre ondas gravitacionais. Agora, no entanto, as potencialidades são muito maiores. Além de verificar a existência das ondas gravitacionais e testar a Teoria da Relatividade Geral, os astrofísicos contam com mais um instrumento de medição. Fusões de buracos negros não podem ser observadas com telescópios normais. Entender como os buracos negros se formam e evoluem é um dos grandes desafios da física atual. Para a cosmologia também abre-se uma nova era. Nos primeiros milhares de anos após o Big Bang, o universo era quente demais para que a luz se propagasse. Não conseguimos estudar esse momento com os telescópios usuais. Mas as interações gravitacionais eram intensas e se propagaram livremente pelo tecido do espaço-tempo. Os vestígios gravitacionais dessa era são o próximo alvo dos observatórios gravitacionais.